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4 de setembro de 2010

Protecção de ninhos em Ostfriesland (Alemanha)

A protecção de ninhos de águia-caçadeira contra a acção de predadores merece também a atenção de investigadores na Frísia Oriental (Ostfriesland).



Entre 2003 e 2006 foram utilizadas cercas eléctricas, nem sempre com sucesso. Após ensaios em 2007, passaram a ser colocadas redes metálicas, que têm as seguintes vantagens comparativas:

- São de instalação mais rápida e não estão sujeitas a falhas de equipamento fornecedor de energia (baterias ou painéis solares);

- São facilmente aceites pelos agricultores, pois não obrigam ao corte da vegetação;

- São mais económicas.

 A instalação destas redes antes da ceifa reduz o risco de predação do ninho por raposas e outros mamíferos. No caso de existirem javalis na zona, devem ser colocadas redes com uma armação metálica.


A dimensão de 2 x 2 metros revelou-se adequada para proporcionar espaço suficiente durante o crescimento de 4 ou mais juvenis.
Segundo Rolf Baum, este método pode constituir uma alternativa à manutenção de um área de protecção com 50 x 50 metros em redor de cada ninho, que obriga a procedimentos burocráticos por parte dos agricultores e a intervenções nessas áreas após o voo dos juvenis.
Estas acções de protecção dos ninhos são financiadas por entidades públicas, empresas e donativos privados.

1 de setembro de 2010

Protecção da águia-caçadeira em Rheiderland (Alemanha)



À semelhança do que foi anteriormente descrito para a região de Castro Verde, na Alemanha são igualmente realizadas acções de salvamento de ninhos de águia-caçadeira.
Neste caso, trata-se de uma iniciativa da associação de agricultores local ("Landwirtschaftliche Naturverein Rheiderländer Marsch") que solicitam a colaboração de biólogos - no vídeo surge o doutor Ben Koks, da Holanda, a efectuar os registos de biometria dos juvenis. É instalada uma cerca eléctrica que delimita uma área de 10 por 10 metros, para redução do risco de predação.

Tal como no caso português, as orientações para a conservação da vida silvestre associada aos sistemas agrícolas por vezes geraram conflitos entre a administração pública e agricultores. Porém, uma maior consciência da importância da agricultura sustentável aos olhos da sociedade, levou a que um grupo de agricultores se organizasse em 2003, de forma a serem eles próprios os promotores de acções de valorização da biodiversidade. Mais importante que ter apenas que corresponder a obrigações de protecção da natureza ou discutir essas medidas unicamente sob o ponto de vista monetário, é vantajoso que sejam os próprios a participar na melhor gestão dos espaços agrícolas, estabelecendo parcerias entre as empresas agrícolas e outras entidades. 
Trata-se sem dúvida de um excelente exemplo a seguir.

31 de agosto de 2010

Resultados da protecção de ninhos em Castro Verde

Terminada a época de reprodução, é possível avaliar o sucesso das acções de salvamento de ninhos na ZPE de Castro Verde.
Foram colocadas redes em 4 ninhos, tendo em 3 deles sido produzidos juvenis voadores. O outro ninho localizava-se muito próximo de uma estrada e quando foi colocada a rede apenas continha um juvenil com idade inferior a 5 dias, pelo que a previsão de sucesso reprodutor desde logo foi considerada baixa.
Um dos ninhos com sucesso reprodutor foi localizado poucas horas após a passagem da ceifeira debulhadora e continha 3 ovos. Considerando que se estava a 23 de Junho, provavelmente tratava-se de uma postura tardia ou então de uma segunda postura, após predação ou destruição da primeira.

Ninho com vedação em rede

Conteúdo do ninho: 3 ovos, no dia 23.6.10


O mesmo ninho no dia 14.7.10
 
Dois juvenis com idade compreendida entre 15 e 20 dias


Outros 4 ninhos localizados pelos operadores das ceifeiras debulhadoras mas onde não foi possível colocar de imediato redes de protecção, quando foram inspeccionados 8 ou 10 dias depois, encontravam-se predados provavelmente por aves ou mamíferos carnívoros.

Local de ninho onde foi mantida a vegetação envolvente, mas já sem vestígios de ovos ou de juvenis. 23.6.10

Restos de um juvenil de águia-caçadeira predado por mamífero carnívoro, possivelmente raposa. 14.7.10

Ainda que partam de uma amostra reduzida, estes resultados revelam que a colocação de redes não gera perturbação que cause o abandono do ninho por parte das aves adultas e reduz, de forma significativa, o risco de predação de ovos e de juvenis.

16 de junho de 2010

Uma tarde em pleno em Castro Verde

Os alunos da turma 6ºA da Escola B2,3 Dr. António Francisco Colaço consagraram a tarde de hoje para a apresentação dos trabalhos produzidos sobre aves estepárias, quer sob a forma de dramatização quer como cartazes dedicados a cada uma das espécies.

Peça de teatro sobre a abetarda


Peneireiro-das-torres


Águia-caçadeira


Sisão


Primeira página do texto da peça de teatro e folhetos

Seguiram-se vários jogos, dedicados a cada uma das espécies, onde os alunos criaram percursos com actividades e questões diversas e todos participaram com entusiasmo. Todos estes alunos e professoras estão de parabéns pelo empenho demonstrado e pela qualidade do trabalho final.

Já no regresso a Évora, junto da aldeia de Entradas deparei com intensa actividade de ceifa de aveia e trigo, numa área referenciada como de ocorrência da águia-caçadeira.


Ao conversar com dois operadores de ceifeiras-debulhadoras, foi manifesto o cuidado que têm em evitar a destruição dos ninhos e, por um deles, fornecida a localização de um ninho com dois juvenis de águia-caçadeira, encontrado numa parcela ceifada há 3 dias. O operador disse ter deixado uma área por cortar em volta do ninho mas também afirmou que geralmente esses ninhos são predados por cegonhas ou raposas no espaço de alguns dias após a ceifa.
Contactado o ICNB, foi ainda possível nesse final de tarde colocar uma rede metálica para protecção dos juvenis, que têm entre 10 a 15 dias.





Trabalho de equipa entre um professor/ambientalista e um vigilante do ICNB 
(fotografia tirada pelo Pedro Rocha, director-adjunto do Dep. de Gestão de Áreas Classificadas - Sul)    

27 de maio de 2010

Salvamento de ninhos de águia-caçadeira na ZPE de Castro Verde

A Zona de Protecção Especial (ZPE) de Castro Verde, criada em 1999 e posteriormente alargada em 2008, é a área estepária mais representativa de Portugal, com 85.345 ha de área total e cerca de 60.000 ha de pseudo-estepe.

Tem elevada importância no contexto nacional para a conservação da avifauna estepária, com destaque para a abetarda Otis tarda e para o francelho Falco naumanni, sendo o local mais importante no país para estas duas espécies. É também a principal área de reprodução do rolieiro Coracias garrulus em Portugal e aqui ocorrem as maiores densidades nacionais de machos reprodutores de sisão Tetrax tetrax.

Outras aves estepárias encontram aqui um dos seus principais redutos, sendo o caso da águia-caçadeira Circus pygargus, do cortiçol-de-barriga-preta Pterocles orientalis, da calhandra-real Melanocorypha calandra e do alcaravão Burhinus oedicnemus.

Rolieiro Coracias garrulus


Colónia de cegonha-branca Ciconia ciconia e garça-boieira Bubulcus ibis

Os últimos dois dias foram dedicados à localização e protecção de ninhos de águia-caçadeira por convite do ICNB, na pessoa do Pedro Rocha, director-adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas - Sul.


Por uma questão de prioridade, a prospecção de potenciais locais de nidificação foi concentrada nas parcelas com pasto ou aveia que estão a ser fenadas.
Sempre que possível, foram questionados tractoristas e agricultores sobre a presença de ninhos. É notório o conhecimento sobre as espécies e a consciência da necessidade de evitar a sua destruição pela maquinaria agrícola.
Numa exploração agrícola, o proprietário sublinhou o cuidado que teve em localizar um ninho de abetarda antes de iniciar a fenagem e preservar esse local. Igualmente, o tractorista referiu a não destruição de dois ninhos de pato-real.

Ninho de pato-real preservado durante o corte do feno

Apesar das cautelas manifestadas, o corte da vegetação nesta época tem um elevado impacte sobre as espécies nidificantes no solo. É necessário um trabalho permanente de prospecção das áreas de nidificação de águia-caçadeira e de outras espécies prioritárias, com localização dos ninhos e respectiva sinalização antes de iniciada a fenagem ou a ceifa.


Na ausência de censos dedicados a esta espécie, a população de águia-caçadeira reprodutora na ZPE de Castro Verde está estimada em 50-100 casais, desde 2003. Ao longo destes dois dias foram percorridos os principais locais da sua ocorrência, tendo sido observados poucos indivíduos, pelo que o número de pares reprodutores presentemente pode ser inferior a 50.
Nos últimos anos, verificou-se a diminuição de explorações agrícolas integradas no Plano Zonal de Castro Verde, pelo que diminuiram igualmente as áreas com restrições de data de ínicio da ceifa. Na ausência de acções de larga escala dirigidas à protecção dos ninhos, não foi possível à águia-caçadeira apresentar a evolução demográfica positiva registada para outras aves estepárias no interior desta ZPE.

Por indicação de um tractorista, foi localizado um ninho numa parcela já fenada, que cinco dias antes continha quatro ovos. Apesar da quase inexistência de vegetação envolvente, a fêmea continuou a incubação durante as actividades de reviramento do feno e de enfardamento.
Quando chegámos ao local, já tinham entretanto eclodido dois juvenis. A escassa vegetação envolvente iria conferir pouco ensombramento aos juvenis durante os próximos 30-35 dias, até estes alcançarem a capacidade de voo, além de ficarem extremamente vulneráveis aos predadores.

Optou-se pela colocação de uma rede metálica com 6 metros de perímetro e 1 metro de altura, suportada por barras de ferro. Este método tem demonstrado eficácia na protecção contra predadores e é de baixo custo (cerca de 20 euros), com a vantagem dos materiais poderem ser reutilizados nos anos seguintes.
Também se colocaram alguns restos de vegetação, para melhorar o ensobramento no local e reduzir a exposição da fêmea.

O vigilante da natureza Fernando Romba junto ao ninho de águia-caçadeira.


Os dois juvenis recentemente eclodidos


Instalação da vedação.


Ninho protegido, tendo sido adicionada alguma palha no seu interior.

Aguarda-se que idênticas intervenções venham a ter lugar durante as próximas semanas, quando se iniciar a ceifa da aveia e de outros cereais praganosos.