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2 de junho de 2010

Seminário


No âmbito do projecto Semear o Futuro, a SPEA realiza no próximo sábado, dia 5 Junho, um seminário subordinado ao tema “O Papel da Agricultura na Protecção da Biodiversidade”, em Campo Maior.
Mais informações estão disponíveis aqui

20 de maio de 2010

Agricultura e aves estepárias


A primeira parte do programa Biosfera do dia 19 é dedicada à Zona de Protecção Especial de Castro Verde e ao trabalho desenvolvido pela LPN junto dos agricultores.

São elencadas as principais ameaças para as aves dependentes dos sistemas agrícolas de sequeiro e descritas as estratégias para a sua minimização. Para além da referência a técnicas de melhoramento e de conservação do solo, o ecoturismo baseado na observação de aves tem o merecido destaque como dinamizador económico para a região.

10 de maio de 2010

Saída de campo na planície de Évora - 2

No dia 7, alunos das turmas 7ºA e 8ºB da Escola Secundária André de Gouveia realizaram a saída de campo do projecto "À descoberta da águia-caçadeira", acompanhados pelas professoras Maria João Félix, Luísa Campeão e Conceição Camacho.
Uma vez mais o transporte foi assegurado pela Câmara Municipal de Évora e o material óptico foi cedido pela LPN-Alentejo e pelo CEAI.


Para apoio científico e pedagógico a este numeroso grupo de 40 participantes, esteve connosco o professor Carlos Miguel Cruz da LPN/CCDRA.


Na herdade da Chaminé, estava nesse momento a decorrer o corte em verde de uma seara de aveia, na parcela onde tem sido observado com regularidade um casal de águia-caçadeira.


Os alunos e professoras tiveram a oportunidade de assistir ao trabalho de corte, enquanto observavam atentamente o voo das aves que permitisse localizar um eventual ninho nesta parcela agrícola.
Mas durante esse período não foi possivel confirmar a existência de qualquer ninho, embora tivesse sido observado o macho em voo de caça.


Na carrinha da LPN foram transportadas estacas de madeira e uma rede metálica para vedar o local do ninho caso ele fosse localizado. Essa rede iria diminuir o risco de predação por carnívoros.


Enquanto os alunos do 7º ano escutavam as explicações sobre a águia-caçadeira e a gestão respectivo habitat, foram surpreendidos pelos movimentos de uma pequena cobra. Com é natural nestas circunstâncias, a primeira reacção foi de medo. Felizmente, o professor Carlos pegou nela - uma cobra-de-capuz juvenil - e houve oportunidade para uma explicação sobre as suas características e o facto de ser inofensiva para nós.

A desconfiança e o receio inicial ...


... seguindo-se a curiosidade e o interesse em tocar.


Cobra-de-capuz Macroprotodon cucullatus

A cobra-de-capuz tem uma área de distribuição muito restrita (Sul da Península Ibérica, ilhas Baleares e Norte de África), sendo uma espécie com hábitos crepusculares ou nocturnos e muito difícil de observar. Depois de fotografada e tocada pelos alunos, foi libertada na orla de uma parcela agrícola adjacente.

Durante esta saída de campo e apesar da dimensão do grupo não ser a mais favorável para a observação de aves, foi possível registar no caderno de campo a presença de águia-caçadeira, cegonha-branca, garça-boieira, milhafre-preto, peneireiro-vulgar, pega-rabuda, andorinhão-comum, andorinha-das-cahminés, entre outras espécies.


Aprenderam igualmente a distinguir as plantas de aveia e de cevada, bem como conhecer a sua utilização na alimentação humana e animal.


Os alunos da turma 7ºA com a professora Luísa Campeão


As professoras Maria João Félix e Conceição Camacho com os alunos da turma do 8ºB

9 de maio de 2010

O actual declínio dos cereais de Outono-Inverno


No Diário de Noticias do dia 4 de Abril, com o título “Cultivo de cereais caiu 65% nos últimos cinco anos” é referido o facto da área cultivada ser a mais baixa dos últimos anos, em virtude de os agricultores abandonarem as culturas cerealíferas face à falta de incentivos e de rentabilidade.
O presidente da Associação de Agricultores do Concelho de Serpa, Sebastião Rodrigues, aponta o exemplo da zona dos barros de Beja - "onde se encontram das melhores terras do País" - para ilustrar a forma como a produção de trigo tem vindo a ser abandonada em Portugal: "Onde durante toda a vida se viram grandes searas, encontramos agora novos olivais."

A história da agricultura em Portugal desde o final do século XIX mostra que o cultivo de cereais sofreu ciclos de expansão e de contracção conforme determinações políticas. No artigo da geógrafa Denise de Brum Ferreira, estão graficamente representadas as campanhas de 1889-1914 (Lei dos Cereais), 1929-1937 (Campanha do Trigo) e 1975-1979 (Reforma Agrária), em paralelo com variações demográficas, formação/destruição de montado e vulnerabilidade do solo à erosão.

A Lei dos Cereais, de 1889 e reforçada em 1899, descrita no trabalho de Jaime Reis, institui a garantia da compra da produção aos agricultores pelo Estado a preço fixo. As importações só seriam autorizadas após a aquisição da totalidade da produção nacional – nascia assim o proteccionismo político das culturas cerealíferas. Porém, Jaime Reis explica que preços especulativos no arrendamento das terras e custos com adubos, maquinaria e mão-de-obra determinaram fracos rendimentos dos produtores de trigo, ficando os lucros na posse de moageiros e padeiros, com a população portuguesa a acabar por comer o pão mais caro da Europa.
É nesta altura que surge a convicção que o Alentejo é o "celeiro do país", esquecendo o facto de já nas cortes de Coimbra-Évora de 1472-73 terem sido relatadas as fracas aptidões das terras para o aumento da área cultivada com cereais. A insuficiente produção de trigo em Portugal foi uma das razões para a odisseia dos descobrimentos além-mar.

Em 1916, é publicado o livro de António de Oliveira Salazar, A questão cerealífera. O trigo, onde este afirma "de modo que o nosso Portugal se encontra cultivando o trigo (...) quando melhor conviriam outras culturas às condições do meio. É um desvio cultural histórico (...)". O país teria sim "uma reconhecida aptidão para as culturas hortícolas e pomícolas.", considerando que a lei de 1889 fizera aumentar a área cultiva com trigo no Alentejo, sem que o sector se tivesse emancipado da necessidade de protecção.
Nas palavras de Pedro Lains, «essa alteração da "fórmula da agricultura portuguesa", não era para Salazar de realização imediata, dada a ausência de alguns dos requisitos mínimos para a sua concretização, nomeadamente, a pequena densidade de população no Sul do país, a falta de instrução dos agricultores, a alta das rendas e a falta de capital». Como esta descrição nos parece contemporânea...

Em 1929, o governo liderado pelo Marechal Carmona e com Salazar no cargo de Ministro das Finanças, promove a Campanha do Trigo com o objectivo de alcançar a auto-suficiência nacional deste cereal.
É um notável exemplo de contradição entre a decisão política e a opinião técnica.


Nessa época são arroteados milhares de hectares com pouca ou nenhuma aptidão cerealífera (estima-se em 2.472.000 ha a área de arvenses no período de 1930-1940), mas agravando problemas de erosão sem um correspondente aumento sustentado da produção. Apenas em 1932 a produção de trigo foi elevada, até excedentária, em virtude de condições meteorológicas particularmente favoráveis. Esta campanha termina na prática em 1937, com os solos esgotados e consequente diminuição da área cultivada. Ainda hoje, extensas áreas de terreno fortemente erosionado na margem esquerda do Guadiana ou nas serras algarvias e do litoral alentejano, revestidas quase unicamente por rochas e estevas, são um testemunho dos erros cometidos.

Durante a Reforma Agrária, a partir de 1975 ocorre uma curta expansão da área cultivada, seguida de nova redução.
Em 1986, quando da integração de Portugal na então CEE, a área cultivada com cereais tinha um valor muito próximo de há 100 anos, cerca de um milhão e trezentos mil hectares. Desde então, a área de culturas arvenses tem decrescido constantemente. Com o desligamento das ajudas directas à superfície, a partir de 2005, foi ainda mais significativo o desinteresse dos agricultores.

Superfície cultivada com cereais em Portugal (dados do INE)

Nos dias 21 e 22 de Abril, no Instituto Nacional de Investigação Agrária, em Elvas, decorreu o seminário «Rega de Cereais Praganosos – Os Cereais Regados na Área de Influência de Alqueva». Novamente foi levantada a questão da insuficiência na produção nacional de cereais, em particular do trigo - 80% da matéria-prima para a panificação é importada - e equacionados os incentivos para a sua produção em regadio. Esta apenas será economicamente viável caso a água seja fornecida abaixo do preço real (em violação ao disposto na Directiva Quadro da Água) e exista apoio financeiro para a instalação dos equipamentos de rega, por falta de capital dos agricultores, bem como para formação.

Espera-se que, antes de surgir uma nova campanha regional, se estude a história do cultivo de cereais, evitando repetir erros do passado e optando por técnicas culturais conservativas do solo, se ponderem as vantagens e os custos económicos, sociais e ambientais, não esquecendo a importância dos sistemas cerealíferos para a conservação das aves estepárias.

5 de maio de 2010

Saída de campo na planície de Évora - 1

No passado dia 3, alunos da turma 8ºA e a professora Marta Beirão da Escola Secundária André de Gouveia e os alunos surdos do 1º ciclo, acompanhados pela professora Maria Leonor Parra e pela professora de língua gestual Mara Jorge da Escola Básica Integrada da Malagueira, visitaram a herdade da Negaça. À nossa espera estava o seu proprietário, António Correia Pires, o que permitiu uma interessante conversa sobre o passado e o presente da agricultura regional.

Trata-se de um local regularmente escolhido pela águia-caçadeira para alimentação e nidificação. Mas, para tristeza de muitos dos entusiasmados alunos, não foi possível observar qualquer exemplar dessa espécie.
Entre 2002 e 2005 foi registada nidificação de 7 a 9 casais de águia-caçadeira nesta herdade e noutra contígua. No ano passado apenas esteve presente um casal e este ano nenhum.

Uma imagem do passado: casal de águia-caçadeira.
Herdade da Negaça, 18.5.2009

A seca de 2005, que causou um elevado insucesso reprodutor, e a substituição do cultivo de trigo por aveia que determina maior precocidade na ceifa e consequente aumento do risco de destruição de ninhos, são factores prováveis para o desaparecimento local desta espécie. Caso ocorra a perda de posturas em anos sucessivos, as aves adultas abandonam as áreas onde habitualmente nidificavam.
Estes jovens alunos puderam assim tomar consciência do significado de estarem a realizar trabalho de investigação sobre uma espécie em perigo de extinção, pois o proprietário relatou observações num passado recente de numerosas águias-caçadeiras na sua herdade.

O uso do solo mantém-se extensivo, com criação de bovinos e cultivo de cereais de Outono-Inverno, alternando com pousios. Os sistemas de rega existentes são utilizados em caso de períodos secos na Primavera. Porém, esta herdade está integrada no bloco de rega do Monte Novo, pelo que a manutenção do sistema actual depende unicamente da vontade do agricultor. Caso exista vantagem económica, nada impede a instalação de olival intensivo, vinha ou outra cultura permanente desfavorável para as aves estepárias.

Ao longo de mais de uma hora, os alunos e professoras tiveram a possibilidade de observar diversas espécies de aves (cegonha-branca, garça-boieira, pato-real, andorinha-das-chaminés, pardal-comum, trigueirão, …) bem como identificar e recolher exemplares para constituição de um herbário de diversas plantas espontâneas e cultivadas.


Igualmente puderam assistir à actividade do corte do ferrejo – mistura de aveia, triticale e cevada - destinado à alimentação do gado.


A acompanhar esta visita esteve o Carlos Miguel Cruz, da Liga para a Protecção da Natureza. Os binóculos e telescópios foram cedidos pela LPN e pelo CEAI - Centro de Estudos da Avifauna Ibérica e o transporte até à herdade foi realizado pela Câmara Municipal de Évora, cuja colaboração agradecemos.

Foto de grupo: professora Marta Beirão e cinco alunos da ESAG, professoras Mara Jorge e Leonor Parra com os seis alunos da Escola da Malagueira, Sr. António Pires e o autor deste blogue.

28 de abril de 2010

Dias trágicos para as aves nidificantes no solo

A um Inverno pluvioso sucedeu uma Primavera mais soalheira. A vegetação cultivada e espontânea respondeu com um vigoroso desenvolvimento vegetativo. Durante o mês de Abril, os campos alentejanos foram revestidos por cores fortes e diversas.

Parcela agrícola em pousio (cultivada com trigo no ano anterior)
2 de Abril de 2010

Presentemente, com dias quentes e secos, assiste-se ao corte de aveia e de pastos para feno ou silagem, em plena época de reprodução de aves cujo ninho é construído no solo: abetarda Otis tarda, sisão Tetrax tetrax, águia-caçadeira Circus pygargus, cartaxo Saxicola torquata, trigueirão Miliaria calandra, etc.

A vegetação espontânea a ser cortada para feno.
28 de Abril de 2010 

Seara de aveia
28 de Abril de 2010

Antes da aproximação das máquinas, é possível escutar o canto da perdiz-vermelha Alectoris rufa ou da codorniz Coturnix coturnix, duas espécies cinegéticas fortemente prejudicadas pelo corte precoce da vegetação. Mas normalmente são as raposas, cegonhas ou garças-boeiras apontadas como as culpadas da destruição das suas posturas, ignorando-se o impacte directo causado por estes cortes para feno.

Perdiz-vermelha

Em Espanha (que serve de exemplo para justificar a construção das linhas de TGV ou para a expansão do olival e culturas de regadio em Portugal), técnicos da administração pública em colaboração com equipas de associações ambientalistas, estarão neste momento no terreno a acompanhar o trabalho das máquinas agrícolas, a localizar ninhos de espécies prioritárias em termos de conservação e a pagar aos agricultores a manutenção da vegetação na proximidade desses ninhos. Junta de Andalucia, Junta de Extremadura ou Gobierno de la Rioja divulgam alguns exemplos de intervenção que não têm qualquer correspondência em Portugal.
Hoje, na planície de Évora, em parte classificada como Zona de Protecção Especial para aves mas ainda sem plano de gestão agrícola, apenas encontrei tractoristas…

21 de abril de 2010

Saída de campo em Castro Verde

Os alunos do 6º ano e as professoras que estão a orientar os trabalhos de projecto sobre aves estepárias, da Escola B2,3 Dr. António Francisco Colaço, tiveram hoje a oportunidade de visitar um dos locais mais importantes para as aves estepárias em Portugal.

A menos de 7 km dessa escola e em plena Zona de Protecção Especial para as aves, localiza-se a herdade de Vale Gonçalinho, propriedade da Liga para a Protecção da Natureza, com um centro interpretativo e vastos terrenos de pseudo-estepe cerealífera, onde coexistem com a actividade agro-pastoril extensiva algumas das aves mais representativas deste habitat: a abetarda Otis tarda, o sisão Tetrax tetrax, o francelho Falco naumanni e a águia-caçadeira Circus pygargus.
A visita foi coordenada pela Cátia Marques, da LPN.

Entrada da herdade de Vale Gonçalinho

Seara de aveia

Centro interpretativo, com aproveitamento da energia eólica

Um dos diversos painéis relativos ao património local.

Uma torre construída propositadamente para a nidificação do francelho (ou peneireiro-das-torres) Falco naumanni

O respectivo painel explicativo

A oportunidade de observar a colónia de francelhos sem causar perturbação nas aves

Um interessante insecto - vaca-loira Meloe majalis - nas mãos cuidadosas dos alunos

A diversidade de formas e de cores nas orlas das culturas agrícolas

O percurso na pseudo-estepe cerealífera, interrompido por uma trovoada

8 de fevereiro de 2010

«A nova Agricultura Alentejana: desafios e oportunidades»

Foto tirada daqui

A vila das Alcáçovas foi escolhida pelo Fórum Alentejo 2015 para a realização de uma conferência sobre as novas perspectivas da agricultura no Alentejo. Perante mais de uma centena de assistentes, o Eng. Luís Capoulas, na dupla condição de empresário agrícola e de actual deputado do PSD, traçou um completo quadro da evolução das políticas agrícolas desde a adesão de Portugal à então CEE em 1986 e o que se perspectiva a partir de 2013, com uma nova PAC ainda plena de incógnitas. Sublinhando que a actividade agrícola deve ser ambientalmente sustentável, recordou que nunca deve perder a sua primordial função de produção de bens alimentares, tanto mais que o crescimento populacional mundial previsto para as próximas décadas irá agudizar a procura de alimentos.

Seguiu-se a intervenção do Eng. António Gonçalves Ferreira que, na qualidade de empresário agrícola, frisou a importância da agricultura como suporte da biodiversidade. Foi muito positivo termos um agricultor a falar para agricultores da importância dos equilíbrios biológicos, da redução das populações de aves e de borboletas dependentes dos sistemas agro-pecuários extensivos, da necessidade de boas práticas agrícolas e de mais acções de investigação e desenvolvimento.

Estamos habituados a presenças fugazes de ministros apenas durante as sessões de abertura ou de encerramento deste tipo de conferências, limitando-se a sua intervenção a breves palavras de circunstância e a uma rápida saída de palco. Porém nessa tarde tivemos a presença permanente do actual Ministro da Agricultura e a possibilidade de o ouvir detalhadamente explicar quais são as suas preocupações e as prioridades do seu ministério. O Professor António Serrano evidenciou que não é apenas o regadio de Alqueva a única alternativa para a região, devendo a agricultura ser diversificada e adequada às diversas condicionantes edafo-climáticas. Para a negociação da futura PAC pós-2013, afirmou que irá valorizar a componente ambiental, os investimentos estruturais e as culturas mediterrânicas. Já durante o debate com os assistentes e perante a questão relativa à necessidade de rápida aprovação das Intervenções Territoriais Integradas para as Zonas de Protecção Especial para as aves estepárias, assegurou que finalmente existe diálogo entre o seu ministério e o Ministério do Ambiente.

Ficamos a aguardar que seja visível esta vontade do governo em promover a integração entre a produção alimentar e a preservação de valores ambientais e a capacidade de concretização no terreno por parte da generalidade dos agricultores.

Mas ficou a mensagem: é indispensável uma atitude aberta ao diálogo e integradora de outras perspectivas, vontade individual e colectiva em analisar novos paradigmas e a necessidade de cada agricultor reconhecer que a salvaguarda da biodiversidade é essencial à perenidade da sua actividade. E o facto destes princípios terem sido proferidos por dois agricultores e um governante pesa bastante.

7 de novembro de 2009

Bom tempo para o fim-de-semana


Fonte: Instituto de Meteorologia

Certamente nos recordamos das “meninas da meteorologia” a quem a SIC, nos anos 90, decidiu entregar a apresentação do boletim meteorológico. Mesmo em períodos de seca grave e prolongada, anunciavam sorridentes a continuação de bom tempo, dirigido sobretudo para a população lisboeta em vésperas de mais um fim-de-semana no Algarve, mas que gerava irritação nos agricultores e nas populações rurais com escassez de água.

O passado mês de Outubro proporcionou alguns excelentes dias de praia, mas muito preocupantes para quem necessitou de precipitação significativa, necessária à instalação de culturas de Outono/Inverno ou para reduzir os suplementos de feno e rações para o gado em regime extensivo. O boletim climatológico mensal do Instituto de Meteorologia informa que foi o mais quente dos últimos 14 anos. Ocorreram vários dias com temperatura superior a 25ºC em muitas estações meteorológicas de quase todo o País, verificando-se também dias com temperatura superiores a 30ºC em muitos locais do Centro e Sul.

A quantidade de precipitação ocorrida neste mês, em Portugal Continental, foi próxima do valor médio 1971-2000, mais elevada no Norte e Centro mas continuando no entanto todo o território do Continente em situação de seca: 40% em seca fraca, 44% em seca moderada e 16% em seca severa.

Em Évora, a precipitação total mensal foi metade da média em 1971-2000 e em 31 de Outubro os valores em percentagem de água no solo, em relação à capacidade de água utilizável pelas plantas, eram inferiores a 30% em quase todo o Alentejo. Não existindo previsão de vários dias com precipitação para a próxima quinzena, tal significa que dificilmente neste mês de Novembro ocorra reposição de água subterrânea ou escorrência para as linhas de água, para além do risco de perda das culturas semeadas no final do mês anterior.

24 de outubro de 2009

Primeiras chuvas

Seara de aveia em fase de emergência

Após um início de Outubro quente e seco, as primeiras chuvas permitiram iniciar a sementeira das culturas cerealíferas de Outono/Inverno. Mas este ano agrícola continuará a ser uma incógnita quanto ao futuro para os cereais de sequeiro no Alentejo e no resto do país.
Segundo as associações de agricultores, em 2008 os custos médios de produção por hectare de seara de trigo eram de 695€. Com preços de comercialização a 200€ a tonelada, era suficiente uma produtividade de 3,5 toneladas por hectare para a cultura ser economicamente viável, mas com a descida para 130€ seriam necessárias produtividades de 4,6 toneladas, algo apenas possível nos melhores solos e em condições meteorológicas muito favoráveis.
As previsões do INE de Julho deste ano, apontavam para diminuição de produção, face ao ano anterior, de 40% no trigo mole e 35% na aveia, decorrente de elevada precipitação que determinou a diminuição da área semeada, seguida de uma Primavera pouco pluviosa durante as fases de floração e de formação do grão, levando muitos produtores a fenarem ou a pastorear directamente as searas – o que foi desfavorável para a águia-caçadeira, por estas actividades coincidirem com o início do período de reprodução.
São vez mais frequentes os agricultores a declarar que produzir cereais de sequeiro significa perder dinheiro e que apenas o fazem porque têm gado.
A estagnação dos preços de comercialização, a previsão de subida dos produtos petrolíferos, as incertezas relacionadas com alterações climáticas e a opinião desfavorável dos dirigentes do Ministério da Agricultura para com o sector dos cereais, associada à não concretização de políticas de conservação da vida silvestre em meio agrícola, em nada concorrem para uma estabilização das áreas a semear com cereais neste Outono, comparativamente com os anos anteriores.