20 de maio de 2010

Agricultura e aves estepárias


A primeira parte do programa Biosfera do dia 19 é dedicada à Zona de Protecção Especial de Castro Verde e ao trabalho desenvolvido pela LPN junto dos agricultores.

São elencadas as principais ameaças para as aves dependentes dos sistemas agrícolas de sequeiro e descritas as estratégias para a sua minimização. Para além da referência a técnicas de melhoramento e de conservação do solo, o ecoturismo baseado na observação de aves tem o merecido destaque como dinamizador económico para a região.

18 de maio de 2010

Conferência "Biodiversidade"


Ciclo de Conferências "Ano Internacional da Biodiversidade"
Conferência "Biodiversidade"

Local: Auditório da Universidade de Évora
Data: 19 de Maio de 2010
Organização: Cátedra Rui Nabeiro – Biodiversidade e CIBIO_UE
Apoio: Departamento de Biologia e Ordem dos Biólogos
ENTRADA LIVRE

Programa

9.00 Sessão de Abertura
Com a presença do Magnifico Reitor da Universidade de Évora e Representante da Delta Cafés

Moderador: Miguel Araújo (Cátedra Rui Nabeiro/CIBIO) e Rui Lourenço (CEAI)
Painel: O Passado
9.30 Sobre as origens da vida. Jorge Araújo (Dep. Biologia)
Painel: As contas da biodiversidade - Na terra
10.00 As Aves: a Biodiversidade mais perto do céu. João E. Rabaça (Dep. Biologia/ICAAM )
10.30 Mamíferos de Portugal . Acerto de contas por adições e subtracções. António Mira (Dep. Biologia/ICAAM)
11.00 Pausa para Café
11.30 Répteis e Anfíbios de Portugal. Pedro Segurado (ISA/Cátedra Rui Nabeiro )
12.00 Flora de Portugal. Carlos Pinto Gomes (Dep. PAO/ICAAM).
Painel: As contas da biodiversidade - Na Água
12.30 Fauna Piscícola. Pedro Raposo (Dep. Biologia/Centro de Oceanografia)
13.00 A Biodiversidade marinha e o «Hot spot» entre-marés João Castro e Teresa Cruz -(Dep. Biologia/CIEMAR/Centro de Oceonografia)
13.30 Almoço

Moderador: Paulo Pinto (Director do Dep. Biologia) e Pedro Rocha (LPN)
Painel: Ameaças à biodiversidade
15.00 Ameaças à biodiversidade na Floresta. Manuel Mota (Dep. Biologia/ICAAM)
15.30 Espécies invasoras. Pedro Anastácio (Dep. PAO/IMAR- Centro de mar e Ambiente)
16.00 Pausa para café
17.00 Estaremos perante a sexta extinção em massa? Miguel Araújo (Cátedra Rui Nabeiro/CIBIO)
17.30 Biodiversidade de Angola. Diogo Figueiredo (Dep. Biologia/Cátedra Rui Nabeiro)

12 de maio de 2010

Trabalhos realizados pelos alunos - Escola Básica da Malagueira

As turmas 3ºC e 4ºC da Escola Básica Integrada da Malagueira estão neste momento em intensa actividade de produção de trabalhos relativos à águia-caçadeira: textos, desenhos, cartazes, apresentações em Powerpoint, etc.

Um desses trabalhos é o cartaz apelando aos agricultores para a colaborarem na protecção dos ninhos, não esquecendo o facto da alimentação desta ave incluir animais que, quando em excesso, podem ser prejudiciais às culturas agrícolas.
É sem dúvida notável o empenho destes alunos na conservação de uma espécie em perigo de extinção em Portugal e a compreensão sobre a necessidade de envolver outros elementos da comunidade.

 
Aqui ficam outros exemplos da dedicação destes jovens investigadores:







10 de maio de 2010

Escola Básica da Graça do Divor

Na Escola Básica da Graça do Divor, foi realizada hoje a última sessão de divulgação do projecto “À descoberta da águia-caçadeira”.


Perante uma assembleia bastante heterogénea – 24 alunos do 1º ao 4º ano de escolaridade, duas professoras e uma encarregada de educação – foram apresentados os temas das rotas migratórias, selecção do local de nidificação, alimentação e salvamento dos ninhos durante a ceifa. Os alunos participaram de forma entusiasta, colocando dúvidas e dando opiniões, muitos deles surpreendidos por haver pessoas que se dedicam à protecção dos animais silvestres, quando geralmente o contacto com a Natureza se resume a acompanhar os pais durante as caçadas.

Mostrar a ilustração de uma raposa ou a fotografia de uma cobra suscita a reacção imediata de um ou outro aluno no desejo de matar esse animal. Mas perante uma explicação simples da função de cada um desses animais no equilíbrio dos ecossistemas, também rapidamente compreendem essa nova perspectiva.

Ficou uma vez mais demonstrada a necessidade de uma intervenção continuada para a Educação Ambiental, algo que tem sido esquecido nos últimos anos em Portugal. Não basta distribuir computadores aos alunos e equipar as escolas com meios tecnológicos, sendo igualmente necessário consagrar verbas no orçamento do Ministério da Educação para apoio a actividades de descoberta e divulgação do património cultural e natural do mundo rural, para que os jovens aprendam a valorizar o espaço onde estão integrados.

Saída de campo na planície de Évora - 2

No dia 7, alunos das turmas 7ºA e 8ºB da Escola Secundária André de Gouveia realizaram a saída de campo do projecto "À descoberta da águia-caçadeira", acompanhados pelas professoras Maria João Félix, Luísa Campeão e Conceição Camacho.
Uma vez mais o transporte foi assegurado pela Câmara Municipal de Évora e o material óptico foi cedido pela LPN-Alentejo e pelo CEAI.


Para apoio científico e pedagógico a este numeroso grupo de 40 participantes, esteve connosco o professor Carlos Miguel Cruz da LPN/CCDRA.


Na herdade da Chaminé, estava nesse momento a decorrer o corte em verde de uma seara de aveia, na parcela onde tem sido observado com regularidade um casal de águia-caçadeira.


Os alunos e professoras tiveram a oportunidade de assistir ao trabalho de corte, enquanto observavam atentamente o voo das aves que permitisse localizar um eventual ninho nesta parcela agrícola.
Mas durante esse período não foi possivel confirmar a existência de qualquer ninho, embora tivesse sido observado o macho em voo de caça.


Na carrinha da LPN foram transportadas estacas de madeira e uma rede metálica para vedar o local do ninho caso ele fosse localizado. Essa rede iria diminuir o risco de predação por carnívoros.


Enquanto os alunos do 7º ano escutavam as explicações sobre a águia-caçadeira e a gestão respectivo habitat, foram surpreendidos pelos movimentos de uma pequena cobra. Com é natural nestas circunstâncias, a primeira reacção foi de medo. Felizmente, o professor Carlos pegou nela - uma cobra-de-capuz juvenil - e houve oportunidade para uma explicação sobre as suas características e o facto de ser inofensiva para nós.

A desconfiança e o receio inicial ...


... seguindo-se a curiosidade e o interesse em tocar.


Cobra-de-capuz Macroprotodon cucullatus

A cobra-de-capuz tem uma área de distribuição muito restrita (Sul da Península Ibérica, ilhas Baleares e Norte de África), sendo uma espécie com hábitos crepusculares ou nocturnos e muito difícil de observar. Depois de fotografada e tocada pelos alunos, foi libertada na orla de uma parcela agrícola adjacente.

Durante esta saída de campo e apesar da dimensão do grupo não ser a mais favorável para a observação de aves, foi possível registar no caderno de campo a presença de águia-caçadeira, cegonha-branca, garça-boieira, milhafre-preto, peneireiro-vulgar, pega-rabuda, andorinhão-comum, andorinha-das-cahminés, entre outras espécies.


Aprenderam igualmente a distinguir as plantas de aveia e de cevada, bem como conhecer a sua utilização na alimentação humana e animal.


Os alunos da turma 7ºA com a professora Luísa Campeão


As professoras Maria João Félix e Conceição Camacho com os alunos da turma do 8ºB

9 de maio de 2010

O actual declínio dos cereais de Outono-Inverno


No Diário de Noticias do dia 4 de Abril, com o título “Cultivo de cereais caiu 65% nos últimos cinco anos” é referido o facto da área cultivada ser a mais baixa dos últimos anos, em virtude de os agricultores abandonarem as culturas cerealíferas face à falta de incentivos e de rentabilidade.
O presidente da Associação de Agricultores do Concelho de Serpa, Sebastião Rodrigues, aponta o exemplo da zona dos barros de Beja - "onde se encontram das melhores terras do País" - para ilustrar a forma como a produção de trigo tem vindo a ser abandonada em Portugal: "Onde durante toda a vida se viram grandes searas, encontramos agora novos olivais."

A história da agricultura em Portugal desde o final do século XIX mostra que o cultivo de cereais sofreu ciclos de expansão e de contracção conforme determinações políticas. No artigo da geógrafa Denise de Brum Ferreira, estão graficamente representadas as campanhas de 1889-1914 (Lei dos Cereais), 1929-1937 (Campanha do Trigo) e 1975-1979 (Reforma Agrária), em paralelo com variações demográficas, formação/destruição de montado e vulnerabilidade do solo à erosão.

A Lei dos Cereais, de 1889 e reforçada em 1899, descrita no trabalho de Jaime Reis, institui a garantia da compra da produção aos agricultores pelo Estado a preço fixo. As importações só seriam autorizadas após a aquisição da totalidade da produção nacional – nascia assim o proteccionismo político das culturas cerealíferas. Porém, Jaime Reis explica que preços especulativos no arrendamento das terras e custos com adubos, maquinaria e mão-de-obra determinaram fracos rendimentos dos produtores de trigo, ficando os lucros na posse de moageiros e padeiros, com a população portuguesa a acabar por comer o pão mais caro da Europa.
É nesta altura que surge a convicção que o Alentejo é o "celeiro do país", esquecendo o facto de já nas cortes de Coimbra-Évora de 1472-73 terem sido relatadas as fracas aptidões das terras para o aumento da área cultivada com cereais. A insuficiente produção de trigo em Portugal foi uma das razões para a odisseia dos descobrimentos além-mar.

Em 1916, é publicado o livro de António de Oliveira Salazar, A questão cerealífera. O trigo, onde este afirma "de modo que o nosso Portugal se encontra cultivando o trigo (...) quando melhor conviriam outras culturas às condições do meio. É um desvio cultural histórico (...)". O país teria sim "uma reconhecida aptidão para as culturas hortícolas e pomícolas.", considerando que a lei de 1889 fizera aumentar a área cultiva com trigo no Alentejo, sem que o sector se tivesse emancipado da necessidade de protecção.
Nas palavras de Pedro Lains, «essa alteração da "fórmula da agricultura portuguesa", não era para Salazar de realização imediata, dada a ausência de alguns dos requisitos mínimos para a sua concretização, nomeadamente, a pequena densidade de população no Sul do país, a falta de instrução dos agricultores, a alta das rendas e a falta de capital». Como esta descrição nos parece contemporânea...

Em 1929, o governo liderado pelo Marechal Carmona e com Salazar no cargo de Ministro das Finanças, promove a Campanha do Trigo com o objectivo de alcançar a auto-suficiência nacional deste cereal.
É um notável exemplo de contradição entre a decisão política e a opinião técnica.


Nessa época são arroteados milhares de hectares com pouca ou nenhuma aptidão cerealífera (estima-se em 2.472.000 ha a área de arvenses no período de 1930-1940), mas agravando problemas de erosão sem um correspondente aumento sustentado da produção. Apenas em 1932 a produção de trigo foi elevada, até excedentária, em virtude de condições meteorológicas particularmente favoráveis. Esta campanha termina na prática em 1937, com os solos esgotados e consequente diminuição da área cultivada. Ainda hoje, extensas áreas de terreno fortemente erosionado na margem esquerda do Guadiana ou nas serras algarvias e do litoral alentejano, revestidas quase unicamente por rochas e estevas, são um testemunho dos erros cometidos.

Durante a Reforma Agrária, a partir de 1975 ocorre uma curta expansão da área cultivada, seguida de nova redução.
Em 1986, quando da integração de Portugal na então CEE, a área cultivada com cereais tinha um valor muito próximo de há 100 anos, cerca de um milhão e trezentos mil hectares. Desde então, a área de culturas arvenses tem decrescido constantemente. Com o desligamento das ajudas directas à superfície, a partir de 2005, foi ainda mais significativo o desinteresse dos agricultores.

Superfície cultivada com cereais em Portugal (dados do INE)

Nos dias 21 e 22 de Abril, no Instituto Nacional de Investigação Agrária, em Elvas, decorreu o seminário «Rega de Cereais Praganosos – Os Cereais Regados na Área de Influência de Alqueva». Novamente foi levantada a questão da insuficiência na produção nacional de cereais, em particular do trigo - 80% da matéria-prima para a panificação é importada - e equacionados os incentivos para a sua produção em regadio. Esta apenas será economicamente viável caso a água seja fornecida abaixo do preço real (em violação ao disposto na Directiva Quadro da Água) e exista apoio financeiro para a instalação dos equipamentos de rega, por falta de capital dos agricultores, bem como para formação.

Espera-se que, antes de surgir uma nova campanha regional, se estude a história do cultivo de cereais, evitando repetir erros do passado e optando por técnicas culturais conservativas do solo, se ponderem as vantagens e os custos económicos, sociais e ambientais, não esquecendo a importância dos sistemas cerealíferos para a conservação das aves estepárias.

5 de maio de 2010

Saída de campo na planície de Évora - 1

No passado dia 3, alunos da turma 8ºA e a professora Marta Beirão da Escola Secundária André de Gouveia e os alunos surdos do 1º ciclo, acompanhados pela professora Maria Leonor Parra e pela professora de língua gestual Mara Jorge da Escola Básica Integrada da Malagueira, visitaram a herdade da Negaça. À nossa espera estava o seu proprietário, António Correia Pires, o que permitiu uma interessante conversa sobre o passado e o presente da agricultura regional.

Trata-se de um local regularmente escolhido pela águia-caçadeira para alimentação e nidificação. Mas, para tristeza de muitos dos entusiasmados alunos, não foi possível observar qualquer exemplar dessa espécie.
Entre 2002 e 2005 foi registada nidificação de 7 a 9 casais de águia-caçadeira nesta herdade e noutra contígua. No ano passado apenas esteve presente um casal e este ano nenhum.

Uma imagem do passado: casal de águia-caçadeira.
Herdade da Negaça, 18.5.2009

A seca de 2005, que causou um elevado insucesso reprodutor, e a substituição do cultivo de trigo por aveia que determina maior precocidade na ceifa e consequente aumento do risco de destruição de ninhos, são factores prováveis para o desaparecimento local desta espécie. Caso ocorra a perda de posturas em anos sucessivos, as aves adultas abandonam as áreas onde habitualmente nidificavam.
Estes jovens alunos puderam assim tomar consciência do significado de estarem a realizar trabalho de investigação sobre uma espécie em perigo de extinção, pois o proprietário relatou observações num passado recente de numerosas águias-caçadeiras na sua herdade.

O uso do solo mantém-se extensivo, com criação de bovinos e cultivo de cereais de Outono-Inverno, alternando com pousios. Os sistemas de rega existentes são utilizados em caso de períodos secos na Primavera. Porém, esta herdade está integrada no bloco de rega do Monte Novo, pelo que a manutenção do sistema actual depende unicamente da vontade do agricultor. Caso exista vantagem económica, nada impede a instalação de olival intensivo, vinha ou outra cultura permanente desfavorável para as aves estepárias.

Ao longo de mais de uma hora, os alunos e professoras tiveram a possibilidade de observar diversas espécies de aves (cegonha-branca, garça-boieira, pato-real, andorinha-das-chaminés, pardal-comum, trigueirão, …) bem como identificar e recolher exemplares para constituição de um herbário de diversas plantas espontâneas e cultivadas.


Igualmente puderam assistir à actividade do corte do ferrejo – mistura de aveia, triticale e cevada - destinado à alimentação do gado.


A acompanhar esta visita esteve o Carlos Miguel Cruz, da Liga para a Protecção da Natureza. Os binóculos e telescópios foram cedidos pela LPN e pelo CEAI - Centro de Estudos da Avifauna Ibérica e o transporte até à herdade foi realizado pela Câmara Municipal de Évora, cuja colaboração agradecemos.

Foto de grupo: professora Marta Beirão e cinco alunos da ESAG, professoras Mara Jorge e Leonor Parra com os seis alunos da Escola da Malagueira, Sr. António Pires e o autor deste blogue.

28 de abril de 2010

Dias trágicos para as aves nidificantes no solo

A um Inverno pluvioso sucedeu uma Primavera mais soalheira. A vegetação cultivada e espontânea respondeu com um vigoroso desenvolvimento vegetativo. Durante o mês de Abril, os campos alentejanos foram revestidos por cores fortes e diversas.

Parcela agrícola em pousio (cultivada com trigo no ano anterior)
2 de Abril de 2010

Presentemente, com dias quentes e secos, assiste-se ao corte de aveia e de pastos para feno ou silagem, em plena época de reprodução de aves cujo ninho é construído no solo: abetarda Otis tarda, sisão Tetrax tetrax, águia-caçadeira Circus pygargus, cartaxo Saxicola torquata, trigueirão Miliaria calandra, etc.

A vegetação espontânea a ser cortada para feno.
28 de Abril de 2010 

Seara de aveia
28 de Abril de 2010

Antes da aproximação das máquinas, é possível escutar o canto da perdiz-vermelha Alectoris rufa ou da codorniz Coturnix coturnix, duas espécies cinegéticas fortemente prejudicadas pelo corte precoce da vegetação. Mas normalmente são as raposas, cegonhas ou garças-boeiras apontadas como as culpadas da destruição das suas posturas, ignorando-se o impacte directo causado por estes cortes para feno.

Perdiz-vermelha

Em Espanha (que serve de exemplo para justificar a construção das linhas de TGV ou para a expansão do olival e culturas de regadio em Portugal), técnicos da administração pública em colaboração com equipas de associações ambientalistas, estarão neste momento no terreno a acompanhar o trabalho das máquinas agrícolas, a localizar ninhos de espécies prioritárias em termos de conservação e a pagar aos agricultores a manutenção da vegetação na proximidade desses ninhos. Junta de Andalucia, Junta de Extremadura ou Gobierno de la Rioja divulgam alguns exemplos de intervenção que não têm qualquer correspondência em Portugal.
Hoje, na planície de Évora, em parte classificada como Zona de Protecção Especial para aves mas ainda sem plano de gestão agrícola, apenas encontrei tractoristas…

22 de abril de 2010

22 de Abril - Dia da Terra


O Dia da Terra foi criado em 1970, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. Esse dia conduziu à criação da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). A partir de 1990, o dia 22 de Abril foi adoptado mundialmente como o Dia da Terra, ajudando a preparar a Cimeira do Rio (1992).

Hoje, o jornal Público dedica um suplemento especial a temas de biodiversidade e conservação da natureza. Como exemplo de caso de sucesso, é descrita a intervenção da Liga para a Protecção da Natureza na conservação do peneireiro-das-torres, cujos resultados concretos foram ontem observados pelos alunos de Castro Verde:

«A pouco e pouco, o território do peneireiro-das-torres (Falco naumanni), o falcão mais pequeno de Portugal, espalha-se pelas planícies do Alentejo. Mais do que uma conquista, é o regresso da espécie a locais que foi obrigada a abandonar.
No final do século XX, a espécie estava a regredir, à medida que desapareciam as suas áreas de alimento nos campos de cereais. A agricultura de sequeiro era substituída pela de regadio e as searas por olival e vinha. “Esta espécie depende de um habitat agrícola específi co, com cereal de sequeiro com pastagens, onde está o seu alimento”, explica Rita Alcazar, da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) em Castro Verde.
Há cerca de 20 anos que a LPN está presente nas planícies de Castro Verde com projectos agro-ambientais para recuperar o habitat de várias espécies de aves, uma das quais o peneireiro-das-torres. Rita Alcazar recorda o desaparecimento da colónia de 80 casais que existia no Castelo de Castro Marim.
“Temos recuperado várias colónias, estabelecendo protocolos de colaboração com proprietários para recuperar paredes de montes onde as aves pudessem nidificar”, explicou. Foram instaladas caixas-ninho e erguidas torres de nidificação ou muros altos cheios de cavidades para as aves fazerem ninhos. Ao todo, a LPN já disponibilizou mais de 800 novos locais de nidificação.
“Resultou muito bem e a espécie conseguiu aumentar rapidamente nas colónias antigas e colonizar os novos locais.” Em menos de dez anos a população triplicou. Na década de 90 existiam 150 casais e em 2006, data do último censo, eram já 450. Para dar nova ajuda, a liga tem a funcionar em Évora um centro de reprodução que ajuda as aves feridas ou as crias que caem dos ninhos.
Como prova do sucesso conservacionista, o programa LIFE 2002 a 2006 Peneireiro das Torres foi premiado pela Comissão Europeia em 2009 como um dos melhores 26 projectos para conservação das espécies.
Não significa que os bons resultados na conservação desta espécie, classificada como Vulnerável no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, se traduza num baixar de braços. Na calha estão já outros projectos, nomeadamente a construção de uma nova estrutura para nidificação no Vale do Guadiana e um esforço de reintrodução da espécie em Évora.»

21 de abril de 2010

Saída de campo em Castro Verde

Os alunos do 6º ano e as professoras que estão a orientar os trabalhos de projecto sobre aves estepárias, da Escola B2,3 Dr. António Francisco Colaço, tiveram hoje a oportunidade de visitar um dos locais mais importantes para as aves estepárias em Portugal.

A menos de 7 km dessa escola e em plena Zona de Protecção Especial para as aves, localiza-se a herdade de Vale Gonçalinho, propriedade da Liga para a Protecção da Natureza, com um centro interpretativo e vastos terrenos de pseudo-estepe cerealífera, onde coexistem com a actividade agro-pastoril extensiva algumas das aves mais representativas deste habitat: a abetarda Otis tarda, o sisão Tetrax tetrax, o francelho Falco naumanni e a águia-caçadeira Circus pygargus.
A visita foi coordenada pela Cátia Marques, da LPN.

Entrada da herdade de Vale Gonçalinho

Seara de aveia

Centro interpretativo, com aproveitamento da energia eólica

Um dos diversos painéis relativos ao património local.

Uma torre construída propositadamente para a nidificação do francelho (ou peneireiro-das-torres) Falco naumanni

O respectivo painel explicativo

A oportunidade de observar a colónia de francelhos sem causar perturbação nas aves

Um interessante insecto - vaca-loira Meloe majalis - nas mãos cuidadosas dos alunos

A diversidade de formas e de cores nas orlas das culturas agrícolas

O percurso na pseudo-estepe cerealífera, interrompido por uma trovoada